quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Solidão


Pausa
Por Hector Othon

(Sozinho. A voz é baixa, quase um sussurro, mas carregada de cansaço e sinceridade.)

Eu tento de tudo.
Sigo rotinas, acredito em promessas, construo coisas com as mãos trêmulas da esperança.
Amo como se o amor fosse um escudo — e descubro, de novo e de novo, que às vezes ele é só mais uma ferida disfarçada de abraço.
Trabalho até não reconhecer meu próprio rosto no espelho, só para provar que valho algo.
Rezo em silêncio, grito dentro da alma, espero respostas que nunca vêm… ou talvez venham tão sussurradas que o barulho do mundo as abafa.

E sabe o pior?
Não é a dor em si. É o vazio que ela deixa depois.
É olhar para frente e não ver nem caminho, nem muro — só névoa.
É sentir que cada passo é um gesto repetido num palco vazio, sem plateia, sem propósito.
Que tudo gira, mas nada avança. Que tudo muda, mas nada transforma.

Às vezes a vida fica tão sem sentido que nem sei.

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