quinta-feira, 19 de junho de 2025

A travessia da vida

 A Travessia Humana: Entre o Silêncio e a Luz

A vida de um ser humano é uma travessia. Não uma linha reta, mas uma curva de dança que se escreve sobre o solo do mistério. Nascemos com a alma nua e os olhos cheios de perguntas. A primeira lição que aprendemos não é sobre vencer, mas sobre sobreviver. E sobreviver, para um coração sensível, é desde cedo um ato de fé.

No fundo, todo humano é um guerreiro espiritual: luta para não alimentar o mal, mesmo quando ele sussurra com voz doce, e se dedica — às vezes sem aplauso — a alimentar o bem. Esse bem nem sempre é grande, nem sempre é visível. Às vezes é um gesto, um olhar, uma escolha pequena e silenciosa que impede o mundo de cair um pouco mais na sombra. É ali, nesses atos miúdos e escondidos, que floresce a grandeza verdadeira.

O amor… ah, o amor. Ele é o sopro que nos empurra quando os pés vacilam. É mais que paixão, mais que companhia — é o reconhecimento da luz do outro como um espelho da nossa. Amar é serviço, não posse. Amar é cuidar da centelha divina em nós e no outro com mãos firmes, ainda que trêmulas. Quem ama verdadeiramente já começou a curar o mundo.

E o trabalho? O trabalho é a oferenda. Quando feito com consciência, transforma o ordinário em sagrado. O trabalho não é só função — é consagração. Seja varrendo o chão, criando uma sinfonia, ensinando ou curando — todo trabalho com alma é prece em movimento. É o modo humano de dialogar com o infinito.

E o serviço… esse é o ouro oculto da alma desperta. Servir não é se diminuir, é se expandir até caber dentro do coração do mundo. Quem serve, não se perde — se encontra. É no serviço que a alma se alinha com a música secreta do universo.

Mas há um campo sagrado e exigente onde tudo isso é posto à prova: a família. Nela, somos desafiados a amar o que não controlamos, a aceitar o que não compreendemos, e a reconhecer que cada ser ali tem seu próprio caminho, suas feridas, seus dons. Vencer as provações da convivência familiar é um dos trabalhos mais profundos da alma encarnada. E quando aceitamos cada um como é — com ternura, com perdão — damos um passo na direção do Amor Maior. A gratidão por tudo o que recebemos se transforma em desejo de contribuir, de acariciar, de construir esse campo de cuidado mútuo. A família, quando nutrida com virtude, se torna uma catedral invisível onde o amor se ensaia para florescer no mundo.

Mas tudo isso, irmão, exige vigilância. Porque há dentro de nós o adversário. A voz do medo, da vaidade, da pressa. Ela diz: “Não vale a pena”. Mas do outro lado, a voz dos aliados espirituais sussurram: “Continua”. Firme-se nas virtudes. Elas não são regras, são chaves. A paciência, a coragem, a compaixão, a clareza, a justiça, a humildade… cada uma delas é um degrau do milagre.

Sim, por isso vivo com virtude, vivo em milagres. Milagre não é suspender a natureza — é revelar sua essência mais pura. Milagre é continuar acreditando, mesmo cansado. É levantar e dizer: "Hoje, de novo, eu escolho o bem, o belo, o amor." É isso que nos torna humanos. Não os erros e as faltas, mas as escolhas, a partir dos aprendizados com que abençoam as quedas.

Viver é dançar, cantar, orquestrar — como fazem as notas das Bachianas, que elevam o barro ao céu. E cada passo que damos com amor, com serviço e com verdade, ressoa como uma nota eterna na sinfonia da criação.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

A morte

 A Morte, Conselheira da Vida

É difícil estar presente com paz quando o futuro é incerto. Como encontrar serenidade quando se vive sob a ameaça constante do imprevisível, como acontece com tantas pessoas em lugares como Israel ou Irã — onde a guerra faz o céu tremer, e o chão perder a firmeza? Como agradecer a vida quando, a qualquer momento, uma bomba pode cair do nada, encerrando tudo?

A bomba é uma possibilidade entre muitas. E embora seja real, quantas e quantas pessoas não sobrevivem às guerras? Quantas histórias de resistência, de reencontros, de renascimentos surgem mesmo sob fogo cruzado?

A verdade é que segurança, nesta vida, nunca existiu de fato. A estabilidade que buscamos é mais um desejo do que um dado real. Vivemos sobre o abismo — só que aprendemos a ignorá-lo.

Sem aceitar a morte como possibilidade — e como presença — não há verdadeira tranquilidade. A tranquilidade genuína não nasce da ilusão de controle, mas da aceitação amorosa da impermanência. A morte pode vir a qualquer instante. E é por isso que a atitude mais lúcida, é agradecer, celebrar e valorizar cada momento com todo o coração.

Cada encontro pode ser uma despedida. Cada palavra dita pode ser a última. E muitos vivem como se a morte fosse um mito distante — e, nessa ilusão, se dão ao luxo de brigar, de guardar mágoas, de virar o rosto para os próprios familiares, de desperdiçar o tempo com o que não tem alma.

Quando se considera a realidade da vida — que é sempre acompanhada da morte — então algo muda por dentro. A existência ganha em densidade, em brilho, em verdade. Tudo se intensifica. O que não tem valor se desfaz. O que importa emerge: o amor, a beleza, o gesto bom, a gentileza que nos une.

A morte, quando escutada como conselheira, nos ensina a viver. Ela dá visão, lucidez, prioridade. Ela nos sussurra, com firmeza e ternura: “Não desperdice”. E quando nos aliamos a ela, a vida se transforma — se torna um milagre em cada instante, uma festa que transborda amor e presença, mesmo em meio às incertezas.

Amar, agradecer e celebrar é o que verdadeiramente faz sentido, O tempo linear é uma ilusão — o futuro, mera possibilidade; o passado, apenas memória. Só o instante existe. Quando o habitamos com presença, quando o tornamos sagrado, ele se abre como um portal do milagre da eternidade.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

União no mundo

No novo mundo, não haverá donos da verdade nem templos que se imponham sobre os corações. Nenhuma ideologia nem religião poderá ditar o que deve ser silenciado, censurado ou temido — e basta olhar o mundo de hoje para ver que todas, de uma forma ou de outra, censuram. Existe alguma que não julgue, não condene, não mate ou não cale? O novo mundo não será guiado por crenças absolutas, mas pelo respeito ao mistério que habita em cada ser. E a bandeira que dançará ao vento será aquela tecida com os fios invisíveis de toda a humanidade — onde cada alma tenha um lugar, cada voz tenha espaço, e cada caminho seja sagrado.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

O amor é uma bênção



O Amor é uma Bênção 🙏❤️🌸

O amor não se busca —
ele desce.
Como orvalho sobre a flor silenciosa,
como brisa sobre o lago da mente em paz.

Não nasce do esforço,
nem do desejo de possuir —
é o perfume da Unidade
quando se dissolvem as fronteiras do eu.

Ele não é exclusivo de um rosto,
nem se prende a um nome.
É presença,
é a respiração do Divino
em tudo o que vive.

No amor verdadeiro
não há medo,
não há pressa,
não há forma de exigir.
Só existe aceitação —
e um silêncio tão profundo
que tudo se cura nele.

Quando o coração desperta
e a mente repousa,
o amor se revela como luz suave,
como canto que une o céu e a terra.

Esse amor não julga,
não mede,
não espera.
Ele é.
Ele abençoa.

E quando nos toca,
a vida inteira floresce.
As feridas se fecham,
os laços se refazem,
e o mundo,
por um instante,
se recorda de sua origem sagrada.

Oremos, então,
não para possuir o amor,
mas para nos tornarmos
transparência da Graça
que é o próprio Amor.

te amo
Hector Othon
🙏❤️🌸

quinta-feira, 5 de junho de 2025

 "A Beleza não cabe em você"


"A Beleza não cabe em você…"
Ela transborda.
Ela não pode ser possuída, nem aprisionada dentro dos limites estreitos do eu.
Quando a Beleza se revela — seja na luz que atravessa uma folha, num verso que arrebata, no olhar de alguém amado, ou no mistério das estrelas — algo dentro de nós se dilata, se abre, se expande além do que imaginávamos ser possível.

É belo tudo aquilo que você não consegue ver sozinho…
Porque a Beleza é um chamado à partilha, à comunhão.
Ela rompe o isolamento da percepção individual e instaura a urgência do encontro:
“Olha!”, queremos dizer, “Vê também!”.
Como se o esplendor do que vemos fosse incompleto sem a presença do outro, como se a Beleza só encontrasse pleno sentido quando compartilhada, acolhida, ecoada em outras almas.

A experiência do Belo é, portanto, sempre um convite amoroso:
um apelo à relação, à transmissão, à generosidade de mostrar o que nos tocou e, assim, nos transformou.
Quando somos feridos pela Beleza — porque ela sempre fere, sempre rompe algo em nós, quebrando cascas, dissolvendo resistências —, sentimos uma necessidade visceral de que outros também a vejam, de que outros também sejam tocados e feridos por essa mesma revelação.

"A Beleza não cabe…"
Não cabe em palavras, não cabe em molduras, não cabe em nós.
Ela excede, sempre.
E esse excesso nos impulsiona a criar, a contar, a cantar, a escrever, a pintar, a fotografar, a abrir a janela, a chamar alguém:
“Vem ver!”

E assim seguimos, humanos:
não para guardar o belo, mas para fazê-lo circular;
não para possuí-lo, mas para habitá-lo juntos,
como quem se aproxima da fonte e deseja que todos bebam da mesma água clara.

A Beleza é um dom que, para ser plenamente vivido, precisa ser partilhado.
Por isso, onde há beleza, há desejo de comunhão;
onde há encanto, há também um gesto de oferta;
onde há maravilhamento, há sempre um chamado silencioso:
“Não fique sozinho…”.

"A Beleza não cabe em você…" como falou Bartolomeu Campos de Queiroz
E que bom que é assim.

terça-feira, 3 de junho de 2025

A prendendo com Xitara

 A prendendo com Xitara (a cachorra de mi vizinho James)

Seu cão late demais? Descubra o que ele quer te dizer!

O impulso mais comum quando nosso cão late demais é dar bronca, gritar ou até castigar, na esperança de que ele pare. Mas, na verdade, esse tipo de reação só faz com que ele se sinta ainda mais inseguro, ansioso… e o resultado? Ele late ainda mais.

Existe um caminho mais prazeroso e eficaz

O segredo é mudar o foco: em vez de tentar calar o latido, escute o que ele quer te dizer, o avisar. Por que ele está latindo tanto? O que ele está tentando comunicar?

Às vezes, a solução está justamente em mudar pequenas coisas: como evitar deixá-lo em um lugar onde ele é constantemente provocado. Aqui em casa, por exemplo, aprendi a não deixar a Xitara no jardim justamente nos horários em que passam o lixeiro, o menino das propagandas ou os técnicos que vêm medir a água e a luz. Assim, ela fica mais tranquila e não precisa gastar tanta energia latindo para espantar o que ela está sentindo como perigoso. Deu certo. E ai sem exagero, de forma mais suave sempre avisa quando tem estranhos perto do portão..

Quando olhamos para o comportamento com carinho, percebemos que o latido não é um problema: é um pedido de ajuda, um sinal de que ele precisa de acolhimento e segurança.

Escute o seu cão. Entenda o que ele sente. E veja como, com amor e presença, ele vai se acalmando, confiando e latindo cada vez menos.

Como lidar com um narcisista

  Como lidar com um narcisista Primeiro: uma verdade essencial (sem a qual nada funciona) 👉 Não existe magia para “tirar” alguém de um tra...