"A Beleza não cabe em você"
"A Beleza não cabe em você…"
Ela transborda.
Ela não pode ser possuída, nem aprisionada dentro dos limites estreitos do eu.
Quando a Beleza se revela — seja na luz que atravessa uma folha, num verso que arrebata, no olhar de alguém amado, ou no mistério das estrelas — algo dentro de nós se dilata, se abre, se expande além do que imaginávamos ser possível.
É belo tudo aquilo que você não consegue ver sozinho…
Porque a Beleza é um chamado à partilha, à comunhão.
Ela rompe o isolamento da percepção individual e instaura a urgência do encontro:
“Olha!”, queremos dizer, “Vê também!”.
Como se o esplendor do que vemos fosse incompleto sem a presença do outro, como se a Beleza só encontrasse pleno sentido quando compartilhada, acolhida, ecoada em outras almas.
A experiência do Belo é, portanto, sempre um convite amoroso:
um apelo à relação, à transmissão, à generosidade de mostrar o que nos tocou e, assim, nos transformou.
Quando somos feridos pela Beleza — porque ela sempre fere, sempre rompe algo em nós, quebrando cascas, dissolvendo resistências —, sentimos uma necessidade visceral de que outros também a vejam, de que outros também sejam tocados e feridos por essa mesma revelação.
"A Beleza não cabe…"
Não cabe em palavras, não cabe em molduras, não cabe em nós.
Ela excede, sempre.
E esse excesso nos impulsiona a criar, a contar, a cantar, a escrever, a pintar, a fotografar, a abrir a janela, a chamar alguém:
“Vem ver!”
E assim seguimos, humanos:
não para guardar o belo, mas para fazê-lo circular;
não para possuí-lo, mas para habitá-lo juntos,
como quem se aproxima da fonte e deseja que todos bebam da mesma água clara.
A Beleza é um dom que, para ser plenamente vivido, precisa ser partilhado.
Por isso, onde há beleza, há desejo de comunhão;
onde há encanto, há também um gesto de oferta;
onde há maravilhamento, há sempre um chamado silencioso:
“Não fique sozinho…”.
"A Beleza não cabe em você…" como falou Bartolomeu Campos de Queiroz
E que bom que é assim.
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