quarta-feira, 18 de junho de 2025

A morte

 A Morte, Conselheira da Vida

É difícil estar presente com paz quando o futuro é incerto. Como encontrar serenidade quando se vive sob a ameaça constante do imprevisível, como acontece com tantas pessoas em lugares como Israel ou Irã — onde a guerra faz o céu tremer, e o chão perder a firmeza? Como agradecer a vida quando, a qualquer momento, uma bomba pode cair do nada, encerrando tudo?

A bomba é uma possibilidade entre muitas. E embora seja real, quantas e quantas pessoas não sobrevivem às guerras? Quantas histórias de resistência, de reencontros, de renascimentos surgem mesmo sob fogo cruzado?

A verdade é que segurança, nesta vida, nunca existiu de fato. A estabilidade que buscamos é mais um desejo do que um dado real. Vivemos sobre o abismo — só que aprendemos a ignorá-lo.

Sem aceitar a morte como possibilidade — e como presença — não há verdadeira tranquilidade. A tranquilidade genuína não nasce da ilusão de controle, mas da aceitação amorosa da impermanência. A morte pode vir a qualquer instante. E é por isso que a atitude mais lúcida, é agradecer, celebrar e valorizar cada momento com todo o coração.

Cada encontro pode ser uma despedida. Cada palavra dita pode ser a última. E muitos vivem como se a morte fosse um mito distante — e, nessa ilusão, se dão ao luxo de brigar, de guardar mágoas, de virar o rosto para os próprios familiares, de desperdiçar o tempo com o que não tem alma.

Quando se considera a realidade da vida — que é sempre acompanhada da morte — então algo muda por dentro. A existência ganha em densidade, em brilho, em verdade. Tudo se intensifica. O que não tem valor se desfaz. O que importa emerge: o amor, a beleza, o gesto bom, a gentileza que nos une.

A morte, quando escutada como conselheira, nos ensina a viver. Ela dá visão, lucidez, prioridade. Ela nos sussurra, com firmeza e ternura: “Não desperdice”. E quando nos aliamos a ela, a vida se transforma — se torna um milagre em cada instante, uma festa que transborda amor e presença, mesmo em meio às incertezas.

Amar, agradecer e celebrar é o que verdadeiramente faz sentido, O tempo linear é uma ilusão — o futuro, mera possibilidade; o passado, apenas memória. Só o instante existe. Quando o habitamos com presença, quando o tornamos sagrado, ele se abre como um portal do milagre da eternidade.

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