Saudades Infinitas
Por Hector Othon
Nestes dias, é possível que a saudade venha como uma onda mais profunda, quase inesperada, trazendo consigo rostos, vozes e presenças que fazem estremecer a alma por dentro. Pode surgir a lembrança de familiares que já partiram, de amigos que tomaram outros caminhos, de antigos amores que ficaram suspensos no tempo, ou mesmo de pessoas que ainda existem no mundo, mas que a vida afastou ou transformou a ponto de já não serem como antes.
A saudade, nesses momentos, não vem para ferir — ela vem para recordar o amor que já foi vivido. Ela é um chamado silencioso da memória do coração, pedindo que aquilo que foi belo não seja esquecido, mas honrado.
Eu, em particular, tenho chorado muito, lembrando com gratidão meus momentos de plenitude já vividos. Choro com um sorriso nos lábios, como acontecem aqueles instantes mágicos em que a chuva e o Sol compartilham o mesmo céu.
Permita-se, então, reviver com doçura as cenas que foram preciosas. Deixe que a lembrança traga também a alegria do que foi compartilhado, e não apenas a ausência do que se foi. Cada encontro verdadeiro deixa uma marca de luz, e essa luz não se apaga com a distância, nem com o tempo, nem com a mudança.
Agradeça. Agradeça profundamente por tudo o que essa pessoa lhe ofereceu: os prazeres, os aprendizados, os risos, os afetos, os encontros que, de alguma forma, ajudaram a moldar quem você é hoje. A gratidão suaviza a dor e transforma a saudade em ponte, não em vazio.
E então, com leveza, envie em pensamento um gesto de carinho — besitos cariñosos levados pelo vento — com a certeza serena de que, em algum ponto do grande caminho da vida, todas as almas que se amaram de verdade encontram novos modos de se reencontrar, mesmo que não se saiba quando, onde ou como.
Mas há um gesto ainda mais sagrado: o de libertar.
Amar não é prender. Amar é desejar que o outro floresça onde estiver, mesmo que isso signifique caminhos diferentes dos seus. É poder sorrir ao lembrar, abençoar em silêncio e permitir que a vida siga seu fluxo natural, sem resistência.
Se essa pessoa hoje está longe, ou diferente, ou vivendo outra história, ainda assim ela merece luz, proteção, plenitude e o seu amor incondicional. E você também. O amor verdadeiro não exige posse — ele se expande em liberdade.
Assim, respire fundo. Sorria com suavidade. Agradeça com o coração inteiro. E libere com confiança.
Porque o que foi verdadeiro não se perde. Apenas muda de forma dentro de nós — e continua vivendo como uma presença amada e encantada, feita de memória, luz e gratidão.
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